RODOLFO ALONSO EM BRASÍLIA
29-08-2003
Foto: Revista de Poesia LA OTRA
Quem andou por Brasília, a convite do editor Victor Alegria (Thesaurus Editora) foi o poeta argentino Rodolfo Alonso. É uma autoridade em seu país, reconhecimento internacional, nos países de língua castelhana. Foi apresentado ao público brasiliense como tradutor de Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes, como divulgador da poesia brasileira na Argentina.
Meu primeiro contato com ele foi em Buenos Aires, no ano passado, na memorável viagem com o Victor Alegria e os poetas e tradutores José Jeronymo Rivera, para o lançamento de uma antologia da poesia luso-brasileira, oportunidade também para distribuir exemplares de meus livros Manucho e o Labirinto, Canto Brasília, Brasil brasis e Tu país está felizentre os intelectuais da região.
Rodolfomereceu uma edição bilingue — Espanhol e Português — de uma seleção de seus poemas (de Rodolfo Alonso), traduzidos pelos referidos tradutores, dentro da série “Antologia Pessoal”, da Thesaurus editora.
O lançamento foi feito durante a Feira do Livro de Basília, agora acontecendo no Pátio Brasil Shopping.
O poeta ficou hospedado na casa do Victor, no Lago Norte, e passava boa parte do dia na gráfica. Convidei-o para um almoço no Carpe Diem, do Pier 21, e aproveitamos para dar um passeio pela cidade, inclusive à Ermida Dom Bosco — para ele ter uma visão da cidade —, com direito a conhecer a (nova) Ponte JK. Ele chegou a iniciar estudos de arquitetura e ficou bem impressionado com a arquitetura de Oscar Niemeyer, mas como de costume, também surpreso e crítico com a falta de calçadas, a escala (des/humana das avenidas e passeios e com a ausência de arborização no Eixo Monumental. Para agravar, estávamos no fim da época do inverno, depois de uma terrível seca, mas em seguida vieram as primeiras chuvas para amenizar o calor, melhorar a umidade do ar e dar início à brotação dos gramados.
A conversa que mantivemos foi muito agradável, sobretudo sobre as crises em nossos países, a decadência das editoras argentinas (quase todas vendidas para os espanhóis), sobre o declínio do interesse pela poesia e, nos dias seguintes, houve espaço e tempo para umas animadas discussões sobre poética e estética em geral.
Pela leitura da apresentação do seu próprio livro, sou informado de que começou a publicar na década de 50 do século passado e que, mesmo não se considerando um surrealista, participou de grupos afins ao estilo que, de certo modo, influenciaram a sua vasta obra poética.
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